sexta-feira, janeiro 16

A VOLTA DO BOÊMIO


Penso que essa história de “dar o sangue”, deve se resumir aos hemocentros de coleta para hospitais, lugar, aliás, onde os curiosos de plantão deveriam frequentar com mais assiduidade


Confesso que não sei onde vai dar essa história da ida de Ronaldinho fenômeno para o Corinthians. Acima do peso, bem acima, diga-se, o gorducho vestiu a camisa do timão e a protuberante capa de gordura salientou o que antes fora músculos do abdome. A jogada de marketing foi das mais bem boladas dos últimos tempos. Que o diga o São Paulo Futebol Clube: mal acabara de conquistar o título de campeão brasileiro de 2008 e teve seus holofotes ofuscados pelo brilho do inusitado contrato Timão-Ronaldinho. Depois disso, o hexacampeão brasileiro teve de se contentar com a página dois.

Isso posto, quero trocar algumas idéias com você, que se dispôs a ler minhas palavras de desagravo, frente ao que deveria incomodar a sociedade e, no entanto, e infelizmente, é motivo de conversa que vai do botequim à roda de amigos nos alto escalões dos pseudo civilizados: a vida das celebridades.

Independente do que o destino reserva ao dito fenômeno no novo clube, o fato é que as pessoas – corintianas ou não – meio que se voltaram ao assunto como se nada mais importante tivessem em seus afazeres. A imprensa caiu de pau de tal forma, que a pouca privacidade do cidadão, ao chegar no clube, se resumia ao vestiário e olhe lá, se não quando seu organismo clamava por um momento mais introspectivo.

Cada passo, cada respiro, cada qualquer coisa que o moço fez foi devidamente registrado pelas lentes da verdade e captado pelos microfones de plantão. Sem contar os infindáveis comentários, análises e observações de especialistas em todo tipo de mídia: impressa, televisiva, radiofônica (inclua-se aqui a rádio peão) e coisa e tal.

O fato é que o gordinho pouca atenção deu a esse vendaval de profissionais e curiosos que se acotovelaram para se aproximar e tirar uma declaração qualquer do rapaz. Ele, sempre apático e de dialética paupérrima, se resumiu o tempo todo com clichês evasivos que, qualquer que fosse a questão, a resposta era sempre a mesma. Algo como: “vim para ajudar o Corinthians; estou à disposição da equipe; quero estar em forma o quanto antes” e mais um montão de balelas que pouco – ou nada – acrescentam no andar da carruagem.

Rico, milionário, com a vida ganha e nem aí para a hora do Brasil, Ronaldinho volta ao país sem vislumbrar qualquer sonho ou expectativa de conquista, até porque ele já as alcançou. Se deixarmos de lado a euforia e o calor do fato e forcalizarmos a situação com nossa lente semiótica – aquela que muita gente tem, mas a maioria insiste em não tirá-la da gaveta – vamos enxergar um atleta que, profissionalmente, não precisa de mais nada e aceitou se aventurar em uma cartada de marketing dos cartolas famigerados em explorar e explorar o pobre do torcedor. Que o diga os vendedores de camisas. Oficiais ou falsificadas, não importa.

Penso que essa história de “dar o sangue”, deve se resumir aos hemocentros de coleta para hospitais, lugar, aliás, onde os curiosos de plantão deveriam frequentar com mais assiduidade, ao invés de ocupar o tempo aplaudindo um jogador gordo, fora de forma, lesionado e nem aí para o país que o revelou craque.

Só para lembrar: na primeira oportunidade que teve de abandonar esse mesmo povo que hoje o ovaciona, Ronaldinho deu no pé, foi cuidar de seu pé-de-meia (certíssimo, diga-se), pouco se importando se podia ajudar alguma equipe brasileira, enquanto ainda conseguia dar um simples drible. Hoje, facilmente confundível com a bola e sem qualquer valor para as grandes equipes mundo afora, retorna aos braços do torcedor a quem deu as costas.

Tomaram o suco da laranja. O que sobrou temos de volta.

Pense nisso

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse meu amigo é um poeta....as idéias e as palavras surgem em uma imensidão de conclusões e possibilidades, acentuadas é claro, com a boa e velha pitada de bom humor;isso tudo sem estragar a elegância de um bom jornalismo de conteúdo, intelecto, culto mas, deliciosamente delicado, sensato e até por que não dizer, sapeca... Vou adorar passar por aqui de vez em sempre pra deixar um alô!
Adorei o blog!!!
Parabéns..
Roseli Costa
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