Tempo!Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
(Beto Guedes - O sal da terra)
Envelhecer é uma coisa muito estranha. Na verdade nenhum de nós – por mais que saibamos que envelhecer é a coisa mais natural do mundo e que, a cada segundo que passa, nos aproximamos mais e mais da morte – dá a devida importância para esse fato.
É contundente pensar que daqui a algum tempo eu não estarei aqui e não poderei fazer absolutamente mais nada, nem sequer me dirigir ao computador, como estou fazendo nesse momento, para colocar no papel as idéias que me baixaram repentinamente ou alguma coisa que me aflige o coração. Não, nunca mais – e nunca mais é muito tempo – contarei as horas, os minutos para as oito da noite, que insiste em não chegar, e encontrar o pessoal do escritório que já me espera no barzinho para o happy hour de todas as sextas.
Ou diferente: nunca mais ninguém dividirá comigo o pedaço de bolo que preparou para a sobremesa do fim de semana e lembrou que eu adorava chocolate com recheio de leite condensado cozido, na lata mesmo, por quinze minutos, até ficar pardo e saboroso. Ninguém mais me pedirá um palpite, uma opinião, um abraço... não, eu não estarei mais aqui para retribuir o que quer que seja. Só a saudade - ainda que passageira - estará em meu, no seu, no nosso lugar.
E mais: depois de fecharmos os olhos para o sono eterno, nossas coisas pelas quais tanto lutamos para conquistar – casa, carro e terno em três prestações –, só para ficar no campo material, ficarão à mercê de herdeiros que não demonstravam o mínimo apreço por elas, mesmo quando ainda respirávamos, quanto mais depois que ao pó retornarmos.
O mesmo acontece com quem já se foi, com quem esteve entre nós e nos cativava apenas pelo fato de existir... pelo simples fato de existir. Não, não era preciso fazer nada além de estar perto o suficiente para sentirmos que sua presença nos acalantava e dava segurança. Aquela pessoa que, quando se aproximava era como se os ventos cessassem; como se o dragão dormisse e deixasse de nos ameaçar com o perigo de suas labaredas. De repente ela se vai, sem se despedir, sem dizer por que e sem nos dar oportunidade de fazer um simples aceno. Sim... para nunca mais.
Depois do adeus final, o que toma conta é o vazio. E eu sempre acreditei que nada havia no vácuo. O vácuo é a casa das lembranças: boas e ruins. É lá que elas habitam.
A vida passa como um raio que dispara sua carga elétrica num objeto obtuso em tardes tempestuosas. Há poucos minutos a precipitação se mostrava bravia, robusta, heróica e desafiadora. Em poucos instantes já não tem forças, sequer, para despetalar uma rosa. O que por algum tempo portava as chaves do universo, agora sopra apenas como uma brisa meiga e inofensiva. No vigor da juventude, como no ápice da tempestade, nos sentimos indestrutíveis, vigorosos, fortes e destemidos. O passar do tempo nos apresenta – compulsoriamente – a velha senhora de túnica preta, que insiste em tocar sua melodia hipnótica que nos leva ao seu encontro, ainda que tentemos nos desvencilhar de seus invisíveis tentáculos. Pouco a pouco as forças se vão e a música nos atrai para o vácuo. O eterno vácuo.
Assim é a vida: a única coisa que nela temos, com certeza é a morte... um pouquinho mais, a cada dia.
É contundente pensar que daqui a algum tempo eu não estarei aqui e não poderei fazer absolutamente mais nada, nem sequer me dirigir ao computador, como estou fazendo nesse momento, para colocar no papel as idéias que me baixaram repentinamente ou alguma coisa que me aflige o coração. Não, nunca mais – e nunca mais é muito tempo – contarei as horas, os minutos para as oito da noite, que insiste em não chegar, e encontrar o pessoal do escritório que já me espera no barzinho para o happy hour de todas as sextas.
Ou diferente: nunca mais ninguém dividirá comigo o pedaço de bolo que preparou para a sobremesa do fim de semana e lembrou que eu adorava chocolate com recheio de leite condensado cozido, na lata mesmo, por quinze minutos, até ficar pardo e saboroso. Ninguém mais me pedirá um palpite, uma opinião, um abraço... não, eu não estarei mais aqui para retribuir o que quer que seja. Só a saudade - ainda que passageira - estará em meu, no seu, no nosso lugar.
E mais: depois de fecharmos os olhos para o sono eterno, nossas coisas pelas quais tanto lutamos para conquistar – casa, carro e terno em três prestações –, só para ficar no campo material, ficarão à mercê de herdeiros que não demonstravam o mínimo apreço por elas, mesmo quando ainda respirávamos, quanto mais depois que ao pó retornarmos.
O mesmo acontece com quem já se foi, com quem esteve entre nós e nos cativava apenas pelo fato de existir... pelo simples fato de existir. Não, não era preciso fazer nada além de estar perto o suficiente para sentirmos que sua presença nos acalantava e dava segurança. Aquela pessoa que, quando se aproximava era como se os ventos cessassem; como se o dragão dormisse e deixasse de nos ameaçar com o perigo de suas labaredas. De repente ela se vai, sem se despedir, sem dizer por que e sem nos dar oportunidade de fazer um simples aceno. Sim... para nunca mais.
Depois do adeus final, o que toma conta é o vazio. E eu sempre acreditei que nada havia no vácuo. O vácuo é a casa das lembranças: boas e ruins. É lá que elas habitam.
A vida passa como um raio que dispara sua carga elétrica num objeto obtuso em tardes tempestuosas. Há poucos minutos a precipitação se mostrava bravia, robusta, heróica e desafiadora. Em poucos instantes já não tem forças, sequer, para despetalar uma rosa. O que por algum tempo portava as chaves do universo, agora sopra apenas como uma brisa meiga e inofensiva. No vigor da juventude, como no ápice da tempestade, nos sentimos indestrutíveis, vigorosos, fortes e destemidos. O passar do tempo nos apresenta – compulsoriamente – a velha senhora de túnica preta, que insiste em tocar sua melodia hipnótica que nos leva ao seu encontro, ainda que tentemos nos desvencilhar de seus invisíveis tentáculos. Pouco a pouco as forças se vão e a música nos atrai para o vácuo. O eterno vácuo.
Assim é a vida: a única coisa que nela temos, com certeza é a morte... um pouquinho mais, a cada dia.
Pense nisso.

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