segunda-feira, novembro 26

Quer cooperar? Saia de perto!

Responda rápido: o que você faz antes de sair de carro e sabe que nos lugares por onde vai passar pode haver congestionamentos?

Claro que pelo menos uma de suas respostas pode ser: “me oriento pelo rádio a fim de evitar o local”. Pois bem, mais uma vez a imprensa prestou um serviço de grande valia e evitou – ou diminuiu – as chances de você passar por situações perfeitamente evitáveis, além de auxiliá-lo a chegar ao destino sem maiores transtornos.

E não é somente nisso que a imprensa nos ajuda. Tantas outras informações úteis são veiculadas diariamente ou, por que não dizer, a cada minuto.

Por outro lado, a ganância pelo furo de reportagem leva determinadas emissoras, principalmente as que têm tecnologia de transmissão ao vivo, a prestarem verdadeiros desserviços aos cidadãos e acabam por, digamos, jogar o feitiço contra o feiticeiro. E quero parafrasear um amigo que, assim como eu, também é jornalista: “É o mesmo que ir à tourada e torcer pelo touro”.

Um exemplo, para ser breve:
Outro dia a Polícia fazia uma mega blits nas principais avenidas de São Paulo para, segundo o repórter, flagrar veículos com placas de outros estados que estariam burlando licenciamentos e se beneficiando com valores mais baixos dos impostos.

Decifrando o verbo “Flagar” - Apanhar em flagrante; surpreender.

Uma vez que, quem está ouvindo a rádio se encontra com o veículo nessa condição, certamente vai procurar uma rota alternativa e deixar a polícia a ver navios. Além, é claro, de quem também cometeu algum delito ou está transportando produtos ilícitos, armas ou sei lá eu o que, também vai desviar da barreira policial, graças ao prévio aviso do astuto profissional de comunicação.

Não que eu seja a favor dos altos impostos que nos são, literalmente, impostos todos os dias; não que eu concorde com a alta carga tributária brasileira e com os verdadeiros destinos que são dados ao nosso rico e suado dinheirinho, que é captado através da fome insaciável dos governos. Mas como sou um ferrenho adepto dos bons costumes concordo plenamente com a Lei que diz que pessoas que residem em um estado e declaram residência ou licenciam o carro em outro, incorrem em crime de falsidade ideológica e sonegação fiscal.

Mas não coloquemos a culpa da inocência apenas nos repórteres. Algumas pessoas, por exemplo, têm o péssimo costume de piscar os faróis ao cruzarem com outros veículos, para avisá-los de que a polícia se encontra mais à frente.

Ao se tomar uma atitude benevolente como esta, pode-se estar avisando a um grupo de seqüestradores, a uma quadrilha que acabou de assaltar o banco ou residência e até mesmo a um foragido da cadeia.

É claro que dar alerta de faróis sobre um acidente mais adiante colabora para que o veículo que segue naquela direção reduza a velocidade e não piore ainda mais a situação. Mas isso tem de ser feito com responsabilidade.

O que temos de colocar na cabeça – de uma vez por todas – é que, às vezes, para ajudar devemos não ajudar, ou seja: falar é prata; calar é ouro. Ou você nunca ouviu aquela célebre frase: “Quer cooperar? Saia de perto”.
Pense nisso.

Nenhum comentário: