
Todo mundo tem uma superstição, mesmo que não admita ou que seja involuntária, mas que tem, tem. Pode ser uma coisa que não atrapalha a pessoa em absolutamente nada ou então – na maioria dos casos – que não a deixe sequer dar um passo, sem antes consultar a crendice.
Passar debaixo de escadas pode ser o fim da picada para os que acreditam em coisas sobrenaturais, passíveis de acontecer se cometerem tal deslize. Tantas outras podem ser enumeradas se quisermos nos aprofundar no tema, mas o que quero abordar são as crenças que levam determinadas pessoas a se comportarem como crianças que buscam o colo dos pais, quando algo de ruim lhes acontece... como se estar acolhido nos braços maternos pudesse reverter a situação ou, porque não dizer, a tragédia.
Só para ser mais claro: quando acontece, por exemplo, um acidente de grandes proporções, com alto número de vítimas; desses que a imprensa não dá um segundo de trégua e nos faz vivê-lo quase que intensamente, podemos observar que os familiares buscam conforto espiritual (geralmente fornecido pela empresa envolvida no episódio, para “saírem bem na foto” da opinião pública) como se buscassem algo alcançável, palpável.
Por outro lado, os supersticiosos se apegam a simbologias vagas, vãs e sem qualquer fundamento prático para expressarem suas reprovações e protestos. Não raramente acontecem caminhadas pela paz, abraços simbólicos, queima de bonecos em praça pública, revoada de pombos brancos, uso de braceletes negros em sinal de luto e coisas do tipo.
Pensemos: após uma chacina onde morreram supostos inocentes ou após um assassinato com requintes de crueldade e com ampla repercussão na mídia, geralmente são deflagradas atitudes pseudo-humanitárias com o intuito de repudiar tais acontecimentos. Porém, tão logo passa a euforia e o furor do apelo midiático, tudo cai no mais profundo esquecimento, até que uma nova tragédia aconteça.
Desnecessário dizer que se vestir de branco e pedir paz pode ser traduzido como perda de tempo, afinal de contas estamos pedindo paz pra quem? Para os bandidos? Será que após a passeata eles sentirão algum tipo de remorso ou inquietação na consciência e deixarão de praticar outros delitos?
Será que após darmos as mãos ao redor da represa, em protesto pela morte descontrolada de peixes, as indústrias deixarão de jogar produtos tóxicos na água; que os invasores de áreas de mananciais procurarão outro lugar para morar? Claro que não, até porque, se as autoridades não multarem os empresários e cobrarem providências, nada mudará e, no caso dos moradores, se estão alojados ali é porque não têm para onde ir e, provavelmente, ocuparam a área por conta disso.
Outro exemplo: queimar o boneco do técnico de futebol, que dirigia a equipe no dia da derrota é a mais perfeita falta de bom senso. Não faz muito tempo descobri que, quando um técnico é afastado da equipe continua recebendo seu salário até o final do contrato, a menos que haja uma rescisão e a multa pré-estabelecida seja paga. Ou seja, de uma forma ou de outra, só sai perdendo quem se dispôs a fingir que se vingou do profissional; aliás, cabe aqui uma observação: em um país que tem a carga tributária arranhando na lua, onde temos mensaleiros impunes, políticos milionários e CPMF que só Deus sabe onde é realmente usada, muito me custa acreditar que ainda tenha gente se preocupando com resultados de equipes de futebol e com jogadores semi-analfabetos que ganham salários estratosféricos, enquanto que médicos precisam fazer greve para obterem o mínimo de dignidade e condições de trabalho para prestarem assistência a esse mesmo povo que só se preocupa com os resultados de seu time no campeonato.
Usar braceletes negros em homenagem aos mortos, nada quer dizer – pelo menos para quem morreu, porque não está mais aqui para receber a homenagem. É como diria Nelson Gonçalves na música de Nelson Cavaquinho e Guilherme De Brito “Quando Eu Me Chamar Saudade”:
“Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais”
Pense nisso
Passar debaixo de escadas pode ser o fim da picada para os que acreditam em coisas sobrenaturais, passíveis de acontecer se cometerem tal deslize. Tantas outras podem ser enumeradas se quisermos nos aprofundar no tema, mas o que quero abordar são as crenças que levam determinadas pessoas a se comportarem como crianças que buscam o colo dos pais, quando algo de ruim lhes acontece... como se estar acolhido nos braços maternos pudesse reverter a situação ou, porque não dizer, a tragédia.
Só para ser mais claro: quando acontece, por exemplo, um acidente de grandes proporções, com alto número de vítimas; desses que a imprensa não dá um segundo de trégua e nos faz vivê-lo quase que intensamente, podemos observar que os familiares buscam conforto espiritual (geralmente fornecido pela empresa envolvida no episódio, para “saírem bem na foto” da opinião pública) como se buscassem algo alcançável, palpável.
Por outro lado, os supersticiosos se apegam a simbologias vagas, vãs e sem qualquer fundamento prático para expressarem suas reprovações e protestos. Não raramente acontecem caminhadas pela paz, abraços simbólicos, queima de bonecos em praça pública, revoada de pombos brancos, uso de braceletes negros em sinal de luto e coisas do tipo.
Pensemos: após uma chacina onde morreram supostos inocentes ou após um assassinato com requintes de crueldade e com ampla repercussão na mídia, geralmente são deflagradas atitudes pseudo-humanitárias com o intuito de repudiar tais acontecimentos. Porém, tão logo passa a euforia e o furor do apelo midiático, tudo cai no mais profundo esquecimento, até que uma nova tragédia aconteça.
Desnecessário dizer que se vestir de branco e pedir paz pode ser traduzido como perda de tempo, afinal de contas estamos pedindo paz pra quem? Para os bandidos? Será que após a passeata eles sentirão algum tipo de remorso ou inquietação na consciência e deixarão de praticar outros delitos?
Será que após darmos as mãos ao redor da represa, em protesto pela morte descontrolada de peixes, as indústrias deixarão de jogar produtos tóxicos na água; que os invasores de áreas de mananciais procurarão outro lugar para morar? Claro que não, até porque, se as autoridades não multarem os empresários e cobrarem providências, nada mudará e, no caso dos moradores, se estão alojados ali é porque não têm para onde ir e, provavelmente, ocuparam a área por conta disso.
Outro exemplo: queimar o boneco do técnico de futebol, que dirigia a equipe no dia da derrota é a mais perfeita falta de bom senso. Não faz muito tempo descobri que, quando um técnico é afastado da equipe continua recebendo seu salário até o final do contrato, a menos que haja uma rescisão e a multa pré-estabelecida seja paga. Ou seja, de uma forma ou de outra, só sai perdendo quem se dispôs a fingir que se vingou do profissional; aliás, cabe aqui uma observação: em um país que tem a carga tributária arranhando na lua, onde temos mensaleiros impunes, políticos milionários e CPMF que só Deus sabe onde é realmente usada, muito me custa acreditar que ainda tenha gente se preocupando com resultados de equipes de futebol e com jogadores semi-analfabetos que ganham salários estratosféricos, enquanto que médicos precisam fazer greve para obterem o mínimo de dignidade e condições de trabalho para prestarem assistência a esse mesmo povo que só se preocupa com os resultados de seu time no campeonato.
Usar braceletes negros em homenagem aos mortos, nada quer dizer – pelo menos para quem morreu, porque não está mais aqui para receber a homenagem. É como diria Nelson Gonçalves na música de Nelson Cavaquinho e Guilherme De Brito “Quando Eu Me Chamar Saudade”:
“Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais”
Pense nisso

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