Mais uma vez, como acontece todos os anos, o Brasil vai parar por quatro dias para as folias de Momo, aliás, vai parar não, vai continuar parado até que termine o alvoroço da festa pagã que movimenta milhões na economia do país, à custa de um povo que vibra de alegria com data certa para voltar à triste realidade. O próprio dito popular, dentro de sua incomensurável sabedoria diz: “amor de carnaval só dura quatro dias”.
E lá vamos nós correr atrás do trio elétrico e depois, do lucro, porque o prejuízo é certo como dois mais dois...
O país que puxou o freio em meados de dezembro, para as festas de fim de anos, só depois dos desfiles das escolas de samba, blocos, agremiações e trios elétricos, retoma o que poderíamos chamar de ano produtivo.
Abrimos, no carnaval, as portas tupiniquins para o turismo e apresentamos nossas mazelas disfarçadas de povo feliz, ao mundo. O que se vê nesse período são pessoas simples brincando de está tudo bem, vestidos com fantasias compradas sabe-se lá de que forma e em quantas prestações.
Desfilam nas alas das quantidades que projetam um colorido homogêneo, sem qualquer destaque individual: um mar de mais um na multidão, enquanto figurões de classes mais abastadas, atores, atrizes, empresários, e socialites que, sequer vão aos exaustivos ensaios, atravessam a avenida no conforto dos carros alegóricos, movidos por tração humana (de desconhecidos e pobres que, possivelmente, não têm dinheiro para a fantasia, é claro), como mandam os regulamentos dos desfiles.
Ao final das exibições e findados os quatro dias, pierrôs e colombinas, campeões ou derrotados retornam ao seu mundo, como uma Alice que sai do reino do espelho ou volta do país das maravilhas. Alguns ainda com a utópica sensação de dever cumprido, felizes por terem ajudado sua escola, bloco ou o que quer que esteja relacionado a isso, a ser campeão ou por ter simplesmente feito uma boa apresentação e permanecido no pelotão de elite.
Não se dão conta que, além do cansaço, carregam também o prejuízo monetário e a ignorância de que alguém enriqueceu ainda mais, graças ao seu empenho, força, dedicação e amor dispensado a uma festa que agrada a gregos, gringos e troianos, mas que usa o povo como massa de manipulação, para exibir uma alegria restrita aos sambódromos, passarelas e avenidas.
Já que não podemos mudar essa triste realidade resta-nos, portanto, a torcida para que os índices de acidentes nas estradas, as contaminações por doenças, como o HIV e os homicídios sejam reduzidos nessa época e também para que o brasileiro - se não deixar de participar - ao menos se dê conta que está apenas servido como guarda-sol, para uma minoria que pode pagar por um lugar à sombra.
Aposto que você, astuto leitor, já ouviu a música de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, intitulada "Palhaçada", que diz :
Cara de palhaço
Pinta de palhaço
Roupa de palhaço
Foi este o meu amargo fim
Cara de gaiato
Pinta de gaiato
Roupa de gaiato
Foi o que eu arranjei pra mim
(Com todo respeito ao Palhaço... Pense nisso).
terça-feira, janeiro 22
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
ô esquindô ôôô
esquindô q eu dô!!!
taca o pau Gini
Postar um comentário